
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (11), que o governo conta com a solidariedade da população brasileira para lidar com as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e que o Brasil não deve se submeter às pressões e ameaças de Donald Trump.
"Este país não se submeterá a ninguém. Ninguém conseguirá intimidar esta nação com palavras ou ameaças. Ninguém. E eu acredito que, nesse sentido, teremos a colaboração do povo brasileiro, que não aceita provocações", declarou o presidente durante uma cerimônia em Linhares, no Espírito Santo (ES), para anunciar uma indenização aos afetados pelo colapso da barragem de Mariana, em Minas Gerais (MG).
Lula reiterou sua posição a favor da aplicação da Lei de Reciprocidade em resposta às tarifas impostas por Trump, se as conversas com Washington não forem produtivas. Trump faz uma afirmação errônea ao dizer que os Estados Unidos possuem um déficit comercial com o Brasil, o que é contradito pelos dados oficiais dos EUA.
"Considerando o comércio e os serviços, temos um déficit de 410 bilhões de dólares com os EUA ao longo de 10 anos. Sou eu quem deveria impor tarifas a ele", comentou Lula, ressaltando que Trump está "desinformado".
O presidente Lula realizou severas críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo alvo de investigação pelo Ministério Público por suposta articulação de sanções contra o Brasil em uma tentativa de evitar o julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Bolsonaro é acusado de tentar realizar um golpe de Estado. Por sua vez, Trump afirma ser alvo de perseguição política e conecta as tarifas impostas ao Brasil ao processo judicial contra o ex-presidente.
"Que tipo de homem é esse que não sente vergonha de enfrentar um processo e provar sua inocência? Aqueles que o denunciam não fazem parte do PT, mas são generais e seu ex-ajudante, que era coronel do Exército", afirmou Lula.
O presidente também criticou a atitude da família Bolsonaro ao contestar o julgamento referente à tentativa de golpe. O deputado Eduardo Bolsonaro pediu licença do seu cargo e viajou para os Estados Unidos, onde solicita ações do governo Trump contra o Brasil.
"O 'coisa' [Bolsonaro] enviou o filho, que era parlamentar, para se afastar da Câmara e ir lá implorar, ‘Ô Trump, por favor, Trump, salve meu pai, não deixe meu pai ser preso’. É necessário que essas pessoas tenham um pouco de vergonha", disse Lula, durante a cerimônia em Linhares.
Bolsonaro enfrenta acusações da Procuradoria-Geral da República de ser o responsável por uma tentativa de golpe de Estado para reverter as eleições presidenciais de 2022, visando permanecer no poder. Ele teria pressionado líderes militares a se juntar a seus planos, que incluíam assassinatos do presidente Lula, do vice, Geraldo Alckmin, e do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Nas redes sociais, Bolsonaro elogiou Trump, afirmou que a tarifa é resultado do afastamento do Brasil "de seus compromissos históricos com a liberdade" e solicitou "aos Poderes que atuem rapidamente apresentando medidas" para restaurar a "normalidade institucional". Tanto Bolsonaro quanto seus colegas rejeitam as acusações de tentativa de golpe.