
Um homem apelidado de “rei dos empréstimos” foi novamente preso pela Polícia Federal após ser acusado de movimentar mais de R$ 2 bilhões por meio de empresas de fachada.
O principal alvo da operação é Jobson Antunes Ferreira, de 63 anos, ex-oficial da Marinha Mercante. Ele usava dezenas de identidades falsas — entre elas Afonso Martins, Domingos Sávio, João Batista e Gilson Ferreira — para aplicar golpes em bancos e instituições financeiras. Ao todo, a PF identificou 334 empresas registradas em nome dele ou de laranjas, sem qualquer atividade real.
Segundo os investigadores, Jobson atuava com a ajuda da esposa, Cláudia Márcia, também especialista em falsificação de documentos. O casal chegou a utilizar a assinatura dela para dar mais veracidade aos registros.
O delegado Bruno Bastos Oliveira, responsável pelo caso, afirmou:
“Descobrimos que ele administrava uma verdadeira empresa do crime.”
As fraudes começaram no início dos anos 2000, quando Jobson tinha uma loja de material de construção em dificuldades. Para conseguir crédito, passou a criar CNPJs falsos, muitas vezes usando endereços de estabelecimentos reais. Em alguns locais, a PF encontrou até 30 empresas registradas no mesmo endereço.
Os negócios eram fictícios, mas tinham toda a documentação regularizada — inclusive folhas de pagamento e benefícios para funcionários que nunca existiram. Para enganar os bancos, Jobson costumava pagar as primeiras parcelas dos empréstimos, interrompendo os pagamentos meses depois, como se a empresa tivesse quebrado.
Ele também recrutava laranjas em diferentes situações, chegando a pagar com cesta básica, bebida ou até dentaduras. Funcionários de bancos eram aliciados com propinas em dinheiro, presentes ou vantagens para liberar créditos fraudulentos.
Em um dos golpes, Jobson apresentou documentos de uma suposta empresa de energia solar e até uma lista de clientes falsos. Um dos endereços checados pela PF era a própria casa dele, em frente à Praia de Piratininga, em Niterói.
Jobson já havia sido preso em 2024, após um cúmplice ser flagrado em uma agência bancária com documentos falsos. Na ocasião, tentou subornar um delegado da PF oferecendo dinheiro em troca de liberdade e acabou acusado também de corrupção ativa.
Mesmo usando tornozeleira eletrônica, o empresário continuou comandando o esquema de dentro da prisão e após sua soltura. Na última quinta-feira, ele e a esposa foram detidos em um condomínio de luxo em Piratininga, onde moravam em um imóvel comprado com recursos ilícitos.
Eles devem responder por estelionato qualificado, organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraude em operações de crédito.
Em nota, o advogado Jair Pilonetto, que representa o casal, declarou que os dois negam as acusações e confiam que a inocência será comprovada no decorrer do processo.
A Febraban também se manifestou, repudiando a participação de funcionários de bancos em atividades criminosas e reforçando que realiza treinamentos constantes para identificar operações suspeitas.
Ao ser questionado durante interrogatório, o próprio Jobson resumiu sua trajetória: