
A morte de Lindomar Castilho, ocorrida neste sábado (20), reacendeu não apenas a lembrança de uma carreira musical de grande sucesso, mas também de um dos crimes mais chocantes da história artística brasileira. Conhecido como o “Rei do Bolero”, o cantor foi um dos nomes mais populares da música brega nos anos 1970 — e também protagonista de uma tragédia que atravessou gerações.
💔 A repercussão ganhou ainda mais força após um desabafo emocionante de sua filha, Lili De Grammont, nas redes sociais, no qual ela relaciona a morte do pai ao assassinato da mãe, a cantora Eliane de Grammont.
Lindomar Castilho e a filha Lili De Grammont — Foto: Reprodução/Redes sociais
Em sua publicação, Lili escreveu uma das frases mais fortes e simbólicas sobre a dor que carrega desde a infância:
“O homem que mata também morre. Morre o pai e nasce um assassino, morre uma família inteira.”
Ela reforçou que a morte do pai não apaga o passado, mas impõe uma reflexão profunda sobre finitude, responsabilidade e consequências.
🎼 Lindomar Castilho ganhou projeção nacional na década de 1970, tornando-se um dos artistas que mais venderam discos no Brasil. Sucessos como “Você É Doida Demais” dominaram as rádios e o colocaram no topo da música popular romântica.
👉 Seu talento e popularidade lhe renderam o apelido de “Rei do Bolero”, conquistando um público fiel em todo o país.
📍 Lindomar e Eliane de Grammont se conheceram em 1977, no meio musical. O relacionamento avançou rapidamente, e o casal se casou dois anos depois, cercado de expectativas pessoais e profissionais.
Com o tempo, porém, a relação passou a ser marcada por:
Controle excessivo
Violência
Brigas constantes
⚠️ Cerca de 15 anos mais velho, Lindomar pressionava Eliane a abandonar a carreira artística, o que tornou a convivência insustentável. Após cerca de um ano de casamento, Eliane decidiu se separar — decisão que ele não aceitou.
🗓️ 30 de março de 1981 entrou para a história de forma trágica. Enquanto Eliane se apresentava em um bar na zona sul de São Paulo, Lindomar entrou no local e a matou a tiros, diante do público.
👶 A filha do casal, Lili, tinha menos de dois anos de idade na época.
O crime causou comoção nacional e se tornou um símbolo da luta contra a violência doméstica, fortalecendo o lema:
🛑 “Quem ama não mata.”
Lindomar Castilho, em um novo depoimento, confessou ter assassinado a esposa, a cantora Eliane de Grammont, em 30 de março de 1981, ao atirar contra ela dentro de um bar onde ela se apresentava. Foto: ESTADÃO CONTEÚDO
📌 Lindomar Castilho foi condenado a 12 anos de prisão. Cumpriu parte da pena — os dois primeiros anos em São Paulo e o restante em um presídio de Goiás.
🎵 Durante o período na prisão:
Compôs o álbum “Muralhas da Solidão” (1985)
Deu aulas de música e violão para detentos por cerca de sete anos
Em entrevistas posteriores, declarou arrependimento:
“É lógico que eu me arrependo todos os dias. A gente comete coisas em momentos que está fora de si.”
Após deixar a prisão, Lindomar ainda tentou retomar a carreira. Em 2000, lançou um álbum ao vivo, mas, com o tempo, voltou a se afastar da vida artística.
🏡 Desde então, passou a viver de forma discreta em Goiás, longe da mídia e dos palcos.
Em entrevista à revista Marie Claire, em 2020, Lili De Grammont contou que passou muitos anos afastada do pai após compreender a dimensão do crime.
💬 Já na adolescência, decidiu se reaproximar, mas descreveu a relação como distante, ainda que o vínculo entre pai e filha tenha sido preservado.
Sobre o perdão, ela foi sincera:
“Se eu perdoei? Essa resposta não é simples como um sim ou um não.”
Ela explicou que o perdão envolve camadas profundas de dor, amadurecimento e transformação pessoal.
Em uma de suas mensagens mais recentes, Lili deixou uma reflexão que ecoou entre milhares de pessoas:
“Somos finitos, nem melhores e nem piores do que o outro. Não somos donos de nada e nem de ninguém. Somos seres inacabados.”
✨ Uma mensagem que convida à introspecção, à empatia e ao combate à violência — especialmente contra a mulher.
🕊️ A história de Lindomar Castilho permanece como um alerta: talento não anula responsabilidade, e amor jamais pode coexistir com violência.