Uma idosa de 73 anos, portadora de câncer e episódios de convulsão, foi encontrada abandonada em uma residência no bairro Dirceu II, zona Sudeste, após quase um mês sozinha no local. A Polícia Civil chegou ao imóvel, que estava sem portas, mobília e energia elétrica, após denúncias anônimas. Diante da situação, cinco filhos da vítima foram indiciados pelos crimes de maus-tratos e abandono de incapaz.
De acordo com a delegada Amanda Bezerra, titular da 8ª Delegacia Seccional, a relação entre a idosa e os filhos já era conflituosa quando ela ainda tinha autonomia. Com o avanço das doenças, ela passou a depender de cuidados e enfrentou sucessivos episódios de abandono. Inicialmente, vivia com dois filhos, mas uma das filhas deixou a residência, restando apenas o filho mais novo, usuário de drogas. Posteriormente, outra filha chegou a cuidar da mãe por cerca de um ano e meio, mas depois a entregou ao irmão mais velho. Uma das filhas sequer atendia às ligações.
O filho mais velho, responsável financeiramente pela mãe, a levou em 12 de setembro para a antiga casa da família, onde a deixou. No local, a polícia encontrou condições precárias de higiene e estrutura. Incapaz de se locomover sozinha, a idosa recebia ajuda de vizinhos, que também relataram ter se mobilizado para limpar o imóvel e garantir sua alimentação. O filho mais velho pagava uma pessoa da rua para levar comida, mas não havia ninguém responsável por acompanhá-la. O único que aparecia ocasionalmente era o filho usuário de drogas, contra quem ela tinha medida protetiva.
Após o flagrante, a delegada solicitou a transferência da idosa para um asilo, medida que foi autorizada pela Justiça, e, no dia 6, ela foi encaminhada a um abrigo. Com a conclusão do inquérito, todos os cinco filhos foram indiciados.
“Todos tinham conhecimento das condições da mãe. O filho mais velho foi indiciado por ação de abandono e os demais por omissão imprópria, já que tinham obrigação de cuidar e não o fizeram. Ainda levantei a possibilidade de crime de tortura pela gravidade da situação, mas caberá ao Ministério Público definir a denúncia”, afirmou a delegada.
